Cultura Nordestina


A avó

A avó, que tem oitenta anos,

Está tão fraca e velhinha!

Teve tantos desenganos

Ficou branquinha, branquinha,

Com os desgostos humanos.

 

Hoje, na sua cadeira,

Repousa, pálida e fria,

Depois de tanta canseira:

E cochila todo o dia,

E cochila a noite inteira.

 

Às vezes, porém, o bando

Dos netos invade a sala . . .

Entram rindo e papagueando:

Este briga, aquele fala,

Aquele dança, pulando . . .

 

A velha acorda sorrindo,

E a alegria a transfigura;

Seu rosto fica mais lindo,

Vendo tanta travessura,

E tanto barulho ouvindo.

 

Chama os netos adorados,

Beija-os, e, tremulamente,

Passa os dedos engelhados,

Lentamente, lentamente,

Por seus cabelos, doirados.

 

Fica mais moça, e palpita,

E recupera a memória,

Quando um dos netinhos grita:

"Ó vovó! conte uma história!

Conte uma história  bonita!"

 

Então, com frases pausadas,

Conta historias de quimeras,

Em que há palácios de fadas,

E feiticeiras, e feras,

E princesas encantadas . .

E os netinhos estremecem,

Os contos acompanhando,

E as travessuras esquecem,

— Até que, a fronte inclinando

Sobre o seu colo, adormecem . . .

 

    Olavo Bilac



Escrito por Rivaldo Meneses às 21h28
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 
Histórico
Outros sites
  UOL - O melhor conteúdo
  BOL - E-mail grátis
  UDV
  Os Pilares dos Reis
  Dê uma espiadinha!!! link-me
  Palavra de anjo
  Uol Blog
  O MUNDO QUE ENCONTREI
  Jornal do Blogueiro
  VIDA PLENA
  Gotinhas de Luz
  Luz de Luma
  NANCI
  Ruiva e Perigosa
  Conexão Cordel
  Arrecifes de Cordeis
  Thalua
  Revista Espiritismo
  Alto Falante
  Compadre Cordel
  Remedio da Natureza
  Cultura Nordestina
  Tire todas as suas dúvidas sobre blogs.
  Início do Código-->
  O Caminho da Prosperidade
  Recanto das Letras
  CFA
Votação
  Dê uma nota para meu blog